As canadenses que recentemente me acompanharam, pra todo lugar, desde o trabalho, ou a algo mais mundano, como um banheiro. Não são rivais da bela Penha, minha esposa, são um tipo de muleta, para a situação transitória que me tomou.
Como se sente uma pessoa com a mobilidade reduzida em nossa cidade? Ela está preparada pra nos acolher? Somos amáveis com quem precisa?
Antes de tudo, devo dizer que nas 3 primeiras semanas após torcer o joelho (que se torna uma espécie de gelatina), um meio-fio parecia uma montanha, qualquer ressalto na calçada se tornava um desafio, exemplos de barreiras urbanísticas e do descaso que a nossa sociedade tem com, me arrisco a dizer, qualquer tipo de minoria.
Deixa te contar a dificuldade que é segurar qualquer coisa e ao mesmo tempo embalar as canadenses, por exemplo, retirar a carteira do bolso. Lembre-se que a estabilidade do seu corpo está debilitada, sendo assim, até ir ao banheiro e não ter ganchos pra guardá-las é um desafio a ser vencido.
Outra aventura é usar o metrô, não temos elevadores entre todos os andares, algumas estações só tem escadas. E pra piorar, os céleres equipamentos tem como característica principal a velocidade de uma tartaruga grávida. Além de ter de segurar o botão do andar, se não ele para. Pra quem tem dificuldade de ficar de pé é relaxante.
E as pessoas como reagem a alguém com muletas? A primeira reação é de espanto, tipo, será que estou pelado? Totalmente inclusivo,
se eu fosse um alienígena, um conhecido me viu e começou a se contorcer, parecia que estava chegando um piriri daqueles. Algumas pessoas são totalmente frias, esbarram, não te ajudam de qualquer forma. Mas temos salvação, uns ainda cedem lugares, são gentis e se preocupam se você está bem, uma minoria é verdade, contudo um faixo de luz pode abalar uma imensa escuridão.
A verdade é que todos deveríamos passar pela pele de quem sofre uma restrição, nos tornaríamos mais amáveis, solícitos e inclusivos.